Documento técnico

A matemática dos índices

Todo número que o Votto publica sobre uma pessoa sai de uma conta. Esta página imprime as contas — as fórmulas, o que entra em cada uma, as constantes em vigor e as condições sob as quais a plataforma se recusa a publicar qualquer coisa.

Edições em vigorCarimbadas em cada leitura
  • Alinhamentosem edição

    média simples, sem constantes

  • Performance política2026.2

    impressão 9bce24a0

  • Posicionamento2026.1

    23 de agosto de 2026

Nesta página

  1. 01NotaçãoO que cada símbolo quer dizer.
  2. 02AlinhamentoCoincidência de voto, tema a tema.
  3. 03Performance políticaTrês pilares contra metas fixas, em média geométrica.
  4. 04PosicionamentoDois eixos, itens pesados pela divisão que produziram.
  5. 05Do parlamentar ao partidoEncolhimento parcial e coesão corrigida por tamanho.
  6. 06Prioridade dos temasA ordenação da pauta.
  7. 07Quando nada é publicadoTodos os pisos e portas, em uma tabela.
  8. 08EdiçõesComo uma mudança de método fica visível.

A versão sem matemática desta página é a Sobre o projeto, e ela é suficiente para entender o que cada índice mede. Aqui está o resto: o que um leitor precisa para refazer a conta ou para discordar dela com precisão.

Nada nesta página é ilustrativo. Todas as constantes impressas aqui são lidas do código que calcula os índices — se uma meta for recalibrada, o número muda aqui no mesmo instante em que muda no cálculo. É a única forma de uma página de metodologia continuar verdadeira depois da primeira recalibragem.


Notação

Três convenções valem para tudo o que vem depois.

Voto, em númeroa única codificação usada em todos os índices
s(Sim)=+1;s(Neutro)=0;s(Não)=−1
s(v)
O voto v na reta −1…+1. Vale igualmente para o voto de um cidadão e para o voto registrado de um parlamentar.
  • Números em ocre são constantes publicadas. Elas não saem da aritmética: são decisões de calibragem, e cada uma delas está listada na tabela da seção Quando nada é publicado.
  • “—” não é zero. Quando uma medida não alcança o piso de cobertura, o resultado é ausência de leitura, e não uma leitura de valor zero. A distinção é a mais importante da página: no eixo econômico, zero é a coordenada de um centrista perfeito, e imprimir dado faltando naquela posição seria afirmar que a pessoa é moderada.
  • Toda escala é fechada e publicada. Alinhamento e performance vão de 0 a 100; os eixos de posicionamento vão de −100 a +100; a prioridade de um tema vai de 0 a 100.

Índice de alinhamento

Quanto duas trajetórias de voto coincidem, sobre os temas em que as duas se manifestaram.

É a leitura principal da plataforma e a mais simples de todas: uma média de concordância par a par. Não há peso por tema, nota editorial nem correção por partido — a única decisão de método está em quais temas entram na conta.

Concordância de um par0, ½ ou 1 — ou fora da conta
ai=1−s(ui)−s(pi)2
quando ao menos um dos dois se posicionou
i∉S
quando os dois se abstiveram — o tema sai do numerador e do denominador
ui
O seu voto no tema i.
pi
O voto do parlamentar no mesmo tema.
S
O conjunto dos temas em que os dois votaram, já sem as duplas abstenções.

A regra de descarte é a de euandi e smartvote para “sem opinião”. A distância ingênua sobre {−1, 0, 1} daria 1,0 — acordo perfeito — a duas abstenções, que é o comportamento mais criticado do Wahl-O-Mat.

Os três valores possíveis
SituaçãoDistânciaVale
Mesma escolha01
Um lado neutro, o outro não1½
Sim contra Não20
Os dois neutros0fora da conta

A última linha é a que ninguém adivinha, porque a aritmética óbvia diz o contrário: a distância entre duas abstenções é zero, e uma fórmula de distância pura marcaria 100% de acordo. Duas pessoas que se recusaram a tomar posição não concordaram sobre nada — e o efeito não seria ruído aleatório, seria inflar exatamente a leitura de quem mais se abstém.

O índice0–100, arredondado ao inteiro
A=100×Σi ∈ SaiS
4,5 pontos em 6 temas = 75%
S
Quantos temas informaram a leitura — o número impresso ao lado do índice em toda a plataforma.

A leitura publicada: o agente contra a própria base

O índice acima exige que você tenha votado. Sem sessão iniciada, a plataforma não pode compará-lo com ninguém — mas ainda pode fazer a pergunta que interessa a qualquer leitor: este parlamentar vota como votam as pessoas que declararam ser representadas por ele?

A base de um agente é o conjunto de cidadãos que o declararam representante. A posição da base em um tema é a média dos votos dela, e é um número contínuo: não é uma escolha entre três valores, é a posição média de um grupo.

Alinhamento com a base0–100 · a leitura padrão de todo agente
b̄i=Σc ∈ Bs(vi,c)ni
Abase=100×Σi ∈ T(1−s(pi)−b̄i2)T
B
A base: quem declarou aquele agente como representante.
T
Os temas em que o agente votou e ao menos um membro da base votou.
b̄i
A posição média da base no tema i, entre −1 e +1.
  • A regra da dupla abstenção não se aplica aqui, e a diferença é consequência da forma: a posição de uma base é uma média contínua, e só vale exatamente zero quando a base inteira se absteve naquele tema — caso em que a abstenção do parlamentar de fato acompanha a base. No índice pessoal, onde os dois lados são um voto só, o descarte é obrigatório.
  • Sem base declarada, entra o eleitorado. A mesma fórmula, com B igual a todos os cidadãos que votaram. É um substituto, não uma leitura equivalente — ninguém é eleito por todo mundo — e a página sempre diz qual das duas está imprimindo. As duas nunca aparecem juntas.
  • Nomes de seguidores nunca são publicados, para ninguém, em nenhuma circunstância. Só o total.
Alinhamento de um partidoum partido não vota; quem vota são seus membros
Apartido=ΣAjm
leitura pessoal e de eleitorado
Apartido=ΣfjAjΣfj
leitura de base
Aj
O alinhamento do agente j da bancada.
fj
Quantos cidadãos declaram o agente j como representante.

A ponderação existe só na leitura de base, e por um motivo estrutural: todo agente enfrenta o mesmo eleitorado, então ali não há peso natural — mas as bases têm tamanhos diferentes, e a base de um partido é a união das bases dos seus membros. Um senador que fala por quatro mil cidadãos não pode contar o mesmo que um deputado que fala por quarenta.


Performance política

Um indicador composto sobre três pilares, construído segundo o manual da OCDE e do Centro Comum de Investigação da União Europeia.

Este índice não depende de concordância nenhuma. Ele pergunta se a pessoa está fazendo o trabalho, e todas as três medidas saem do registro que as próprias casas publicam. A janela é a legislatura corrente — os quatro anos civis em curso.

A decisão central é a normalização: cada pilar é medido contra uma meta fixa e publicada, nunca contra o melhor colega. A consequência é a razão inteira da escolha — a nota de um parlamentar muda quando a conduta dele muda, e em nenhum outro momento. É o que fazem o IDH, o EPI e o Índice ODS.

Normalização por metasa “distância a uma referência” do manual
g(x)=limita(100×x−piormeta−pior,1,100)
x
A medida bruta do parlamentar.
pior
O valor que vale a nota mínima. Congelado e publicado.
meta
O valor que vale 100. Congelado e publicado.

OECD/JRC, Handbook on Constructing Composite Indicators, p. 28 — normalizar pelo líder do grupo “baseia-se em valores extremos que podem ser outliers não confiáveis”.

Pilar 1 — Assiduidade

A razão entre votações a que compareceu e votações a que poderia ter comparecido. O denominador desconta três coisas: as sessões fora do período de exercício do mandato, as cobertas por licença oficial, e as que o parlamentar presidiu — os dois regimentos barram quem está na cadeira da presidência de votar em processo aberto, então ler aquele voto ausente como falta é ler o oposto do que aconteceu.

Assiduidademetas 0,50 → 1,00
x=presençaselegíveis,compior=0,50emeta=1,00
elegíveis
Votações nominais da casa ocorridas com o parlamentar em exercício, fora de licença e fora da presidência da sessão.

Pilar 2 — Relatorias e proposições

Relatorias e proposições são um pilar, não dois: são a mesma coisa — o que o parlamentar fez passar pela casa — e separá-las punia a Câmara duas vezes, já que ela publica apenas o último relator de cada proposição.

A medida é lida em escala logarítmica, e isso não é uma preferência estética. A regra de triagem do manual dispara quando a assimetria passa de 2 e a curtose de 3,5; a taxa de produção da Câmara mediu 7,20 e 70,81. Winsorizar não resolve: aparar os cinco casos mais extremos ainda deixa a assimetria em 3,6. A consequência é deliberada e está dita aqui — o quadringentésimo projeto conta menos que o primeiro.

Relatorias e proposiçõespor mês de mandato
r=mín(apresentados,c·m)+avançados+relatoriasm
P=100×ln(1+rα)ln(1+metaα)
m
Meses de mandato dentro da janela.
α
A mediana da casa — onde a curvatura do logaritmo começa a morder. É uma taxa com unidade, não uma constante arbitrária.
c
Teto de apresentações, derivado das metas da própria casa (abaixo).

log1p(x/α) e não log(x+1): vale exatamente 0 em x = 0, então quem não apresentou nada recebe o piso sem nenhum caso especial.

As metas de produção, por casa — a mediana é o α da fórmula
CasaMedianaMeta (p95)Teto de apresentações
Câmara dos Deputados1,454,63,10 /mês
Senado Federal6,001610,97 /mês

As duas casas têm metas diferentes porque a diferença é estrutural e não mérito: 81 senadores dividem aproximadamente o mesmo volume de relatorias que 513 deputados, então a taxa do senador mediano é cerca de quatro vezes a do deputado mediano. Uma meta única classificaria a casa, não a pessoa.

O teto de apresentações existe porque protocolar um projeto custa uma assinatura, e fazê-lo andar não. Ele é derivado, não escolhido: é a taxa em que só as apresentações alcançam 80 de 100 — o topo da faixa “Acima da média” — invertendo a própria fórmula do pilar. Desfecho e relatoria não têm teto e somam por cima.

O teto, em forma fechadaderivado das metas, nunca fixado à parte
c=α·(exp(80100·ln(1+metaα))−1)

Derivar em vez de fixar é o que garante que recalibrar uma meta move o teto junto — as duas não podem sair de sincronia.

Pilar 3 — Custo político

Não é uma quantia em reais: é a fatia da cota a que o parlamentar tem direito que ele usou. O teto da cota é publicado por estado e por casa e varia por um fator de 2,4, porque ele paga as passagens para casa — ordenar por reais ordena geografia. A razão é limitada, comparável entre estados e entre casas, e não precisa de nenhum grupo de comparação.

O pilar é a cota parlamentar e nada mais: manutenção de escritório, viagens, combustível, alimentação, divulgação, segurança. Emendas parlamentares estão fora por decisão de método — um deputado que garantiu um bilhão de reais para escolas do seu estado não é um deputado caro, e um índice que confundisse as duas coisas diria o oposto da verdade.

Custo políticometas 1,10 → 0,50, invertidas
u=gastom·teto,compior=1,10emeta=0,50
teto
O limite mensal publicado para aquele estado e aquela casa.

O piso está acima de 1,00 porque a cota acumula ao longo do ano (Ato da Mesa 43/2009, art. 13): é legítimo gastar mais que um teto mensal em um mês.

A composição dos três

Média geométrica ponderada, e não aritmética. Uma média aritmética é plenamente compensatória: ela dava nota idêntica e respeitável — 63 — a quem nunca comparece, a quem nunca legisla e a quem consome a cota inteira. O manual mostra que agregação aditiva exige independência de preferências, que estes pilares não têm: o valor de mais um projeto não independe de o parlamentar comparecer. O IDH mudou por exatamente esse motivo em 2010.

O índice composto0–100 · pesos iguais, um terço cada
Q=exp(Σi ∈ Mwi·ln(xi)Σi ∈ Mwi)
cobertura=Σi ∈ MwiΣwi≥0,50
senão, nada é publicado
xi
A nota 0–100 do pilar i, com piso 1.
wi
O peso do pilar — um terço para cada um dos três.
M
Os pilares que puderam ser medidos para aquele parlamentar.

OECD/JRC, Handbook §6.10. O piso de 1 existe porque uma média geométrica morre em zero, o que colapsaria todas as formas distintas de fracassar em um mesmo “0”.

Um pilar que não pode ser medido é ausência, e o peso dele é redistribuído entre os outros — o que é aritmeticamente equivalente a imputar o pilar faltante na média geométrica dos observados. Vale saber, porque significa que um parlamentar cujo pilar faltante seria ruim é favorecido pela lacuna. Abaixo de 0,50 do peso total, nada é publicado: meia figura afirmada como número é pior que número nenhum.

As faixas
FaixaIntervaloLeitura
Muito acima da média80 – 100
Acima da média60 – 79
Na média40 – 59comparativa, nunca avaliativa
Abaixo da média0 – 39

Os cortes das faixas são provisóriose estão declarados como tal: eles antecedem as metas fixas e a média geométrica, e precisam ser recalibrados contra o histograma real. Os rótulos, esses, permanecem comparativos — “muito acima da média” é uma afirmação que a aritmética sustenta; “excelente” seria um veredito sobre uma pessoa nomeada que ela não sustenta.


Posicionamento

Onde uma trajetória de votos cai em dois eixos de valor — e as três portas que decidem se isso pode ser publicado.

Os eixos são os do Chapel Hill Expert Survey, traduzidos, e a escolha é o que torna o resultado conferível contra uma medida externa: Estado ↔ Mercado (LRECON) e Ordem ↔ Liberdades (GALTAN). Não há um número único: o RILE pesa seus dois lados igualmente e o CHES se recusa a colapsar os dele. Um índice de uma dimensão só teria de ser ajustado contra uma referência externa, nunca afirmado.

Este é um cálculo em lote, e a matemática obriga: pesar um tema pela divisão que ele produziu exige a votação da casa inteira, e encolher um partido em direção à média exige a distribuição de todos os partidos.

O peso de um item

A correção mais importante do índice é invisível em uma frase: uma votação em que a casa votou 470 a 21 não separa ninguém. O peso de um item é a discriminação dele, e ela é mensurável, não adivinhável. É também o que neutraliza a composição da pauta — uma sequência de projetos aprovados por aclamação e marcados no mesmo polo deixa de empurrar a casa inteira para lá.

Discriminação0 numa votação unânime, 1 numa dividida ao meio
d=2·mín(sim,não)sim+não,descartado sed<0,20

É o parâmetro de discriminação da Teoria de Resposta ao Item, reduzido ao que se pode medir sem ajustar um modelo.

O desconto da pauta do Executivo

A primeira dimensão recuperada das votações nominais brasileiras não é ideologia: é governo ↔ oposição. Medido em dados reais, o primeiro componente principal correlaciona −0,96 com governismo e +0,49 com a escala de especialistas, e põe o PSOL à direita do PSDB — porque o PSOL se opõe ao governo pela esquerda. Isso não se corrige classificando melhor os temas: o sinal de coalizão está nos votos, não nas ementas.

Governismo e contaminaçãopor parlamentar e por item
gj=100×votos com a orientação do bloco Governovotações com orientação publicada em que votou
c=r(s(v),g)Pearson, entre quem votou naquele item
gj
Governismo do parlamentar j, 0–100. Exige ao menos 10 oportunidades.
c
Contaminação do item, 0–1. Exige ao menos 10 pares; sem eles é “não medido”, que não é o mesmo que “não contaminado”.
Peso de um item para um eixoquatro coisas distintas, multiplicadas
w=d·(1−c)·confiança·magnitude
confiança
0–1, quanto o classificador confia naquela marcação de eixo.
magnitude
0–1, quanto o tema toca o eixo. A direção é o que se afirma; a magnitude é campo separado justamente por ser menos confiável.

Multiplicadas porque qualquer uma delas em zero torna o item inútil: uma votação unânime, uma decidida pela coalizão, uma marcação em que ninguém confia, um tema que não toca o eixo.

A leitura de um eixo−100 a +100, ou ausência de leitura
x=100×ΣwisiΣwi
Σwi≥8
senão o eixo é ausência de leitura
si
O sinal do voto multiplicado pela direção da marcação do tema: +1 quando o voto empurra para o polo positivo do eixo, −1 quando empurra para o negativo. Abstenção não move nada.
itens efetivos
A soma dos pesos — a cobertura, medida em peso e não em contagem: oito votações unânimes somam quase nada.

O piso de 8 é medido em peso efetivo, e na prática pede da ordem de vinte proposições classificadas e disputadas por eixo. Ele vem de uma analogia com escalas de scorecard: as da ADA usam vinte votações escolhidas a dedo, e vinte votações reais, descontadas pela divisão média do plenário e pela confiança das marcações, somam algo em torno de oito unidades de peso.

Os pesos vêm sempre da casa, nunca de quem está sendo medido, e isso não é detalhe de implementação. Estimar cidadãos e parlamentares num modelo conjunto faria a posição publicada de cada parlamentar depender da razão entre cidadãos e parlamentares na base — quer dizer, da taxa de cadastro da plataforma. A posição de um deputado mudaria porque o Votto ganhou usuários.

Erro padrão e sensibilidadecontagem efetiva de Kish
nef=(Σwi)2Σwi2
EP=√Σwi(si−x̄)2Σwi·(nef−1)
influência=100×máxix̄−i−x̄
deixa-um-projeto-de-fora
nef
Com pesos iguais reduz ao familiar n; com pesos desiguais reconhece que um item que pesa dez vezes mais não são dez observações.
influência
O maior deslocamento causado por deixar uma única proposição de fora, e qual foi ela. Impresso ao lado da leitura.

A análise de sensibilidade é obrigatória no manual OECD/JRC. Este é o recorte que interessa a um cidadão: se um projeto sozinho move o número em quinze pontos, o número é um relatório sobre aquele projeto.

As portas de publicação

Nada é publicado para uma casa que não passe nas três primeiras. A segunda é o teste que a literatura diz que um índice como este falha em silêncio; a terceira é a que impede o raciocínio circular — um índice construído a partir de votos e validado contra os mesmos votos não está validado.

A quarta não bloqueia nada: ela decide apenas se o segundo eixo sai como número próprio ou se continua alimentando só a figura.

Portas de publicação, por casa
PortaCritérioLimiarSe falhar
1 · CoberturaVotações classificadas e divididas; agentes com leitura20 itens · 30 agentesa casa inteira fica sem posicionamento
2 · FalseamentoCorrelação entre o eixo econômico dos agentes e o governismo deles≤ 0,50o índice está medindo apoio ao Executivo e chamando de ideologia
3 · Âncora externaSpearman entre a ordenação partidária e as pesquisas de especialistas≥ 0,85 sobre 60% das cadeirasa ordenação não corresponde a nenhuma medida externa
4 · ColinearidadeCorrelação entre os dois eixos≤ 0,85o eixo social alimenta a figura, mas não é publicado como número próprio

O piso de 0,85 na âncora não é arbitrário: as medidas brasileiras de especialistas concordam entre si a 0,947–0,988, enquanto a análise de manifestos — a única família que a literatura já trata como medindo outra coisa — fica em 0,575 contra o CHES. O corte é o que separa a primeira família da segunda. Um partido sem âncora publicada simplesmente fica de fora da correlação: interpolar um valor dentro da régua que valida o índice faria o índice validar a interpolação.

A quarta porta descreve o resultado esperado no Brasil, não uma anomalia: nos onze partidos brasileiros do CHES-LA, a correlação entre os dois eixos mede 0,94. O resíduo é real — separa a direita economicamente liberal da direita moral-autoritária — mas é um décimo da variância, carregado por dois partidos. É uma forma, não um segundo veredito.

Por que a faixa não é impressa

As cinco faixas (Esquerda, Centro esquerda, Centro, Centro direita, Direita) existem no código e não são publicadas. Cada uma tem 40 pontos de largura sobre a reta de −100 a +100, então um intervalo de 95% que não caiba dentro de uma delas significa que o rótulo seria decidido por ruído.

A porta da faixaalém das três portas da casa
(x−1,96·EP,x+1,96·EP)⊂uma única faixa

Mesma ideia do “não separa” de Goldstein & Spiegelhalter sobre tabelas de liga: cerca de dois terços de todas as comparações possíveis não permitem separação.

O que as páginas de registro mostram no lugar do veredito são as duas leituras de eixo com a contagem bruta de projetos classificados, a margem e a proposição mais influente quando uma sozinha move o número — a convenção do Voteview, em que a estatística de ajuste viaja junto com a estimativa.


Do parlamentar ao partido

Bancadas vão de 1 a 90 membros. A média simples de uma bancada de um publica a excentricidade de uma pessoa como a posição de um partido.

O Votto publica “o quanto este partido está alinhado com você”, que é uma afirmação sobre o partido como ator — existe uma posição latente e os membros são leituras ruidosas dela. É só isso que licencia o encolhimento abaixo; se a afirmação fosse a tendência central de quem hoje ocupa as cadeiras, a média simples seria a resposta certa.

O modelo de dois níveismeta-análise embaixo, encolhimento em cima
yi~N(μi,vi)
μi~N(θ,ψ2)
θ~N(μ,τ2)
vi
Variância amostral do próprio membro — o quadrado do erro padrão da leitura dele.
ψ
Dispersão real dentro do partido, já com o ruído de medição descontado.
τ
Espalhamento entre partidos.
μ
A média da casa — o alvo do encolhimento.
Média observada e encolhimentoa média bayesiana conhecida do IMDb
wi=1ψ2+vi,ȳ=ΣwiyiΣwi
B=τ2τ2+Var(ȳ),θ̂=μ+B(ȳ−μ)
θ̂=nȳ+mμn+m
a mesma coisa, na forma do IMDb
B
Confiabilidade, 0–1: a fração do desvio da bancada em relação à casa que é sinal e não ruído.
m
σ²/τ² — quantos membros fictícios, parados na média da casa, todo partido carrega.

A diferença para o IMDb é que ali m é escolhido e aqui é estimado dos dados, por DerSimonian–Laird: τ̂² = máx(0, (Q − (k−1)) / C).

O limitador, e o problema Clemente

Encolher minimiza o erro total maltratando sistematicamente o indivíduo genuinamente extremo. Efron mostra isso na própria série que popularizou o método: James–Stein ganha no agregado e perde para a média simples em 4 dos 18 jogadores, perdendo feio no caso de Roberto Clemente — o melhor rebatedor do grupo, puxado para a média porque a média é onde quase todo mundo está.

Aqui os extremos genuínos são exatamente os partidos cuja posição é notícia. Por isso o encolhimento vem com o limitador de translação limitada de Efron & Morris: o deslocamento nunca passa de um erro padrão da média observada. Isso limita a injustiça máxima cometida contra um partido nomeado a uma grandeza que dá para escrever na página — e a média observada é publicada ao lado da encolhida, sempre.

Translação limitadaEfron & Morris
θ̂−ȳ≤1·EP(ȳ)

Coesão

A coesão de uma bancada é o Índice de Concordânciade Hix, Noury & Roland — e não o índice de Rice, que ignora a abstenção. Uma bancada que se abstém em bloco (10 sim, 10 não, 100 abstenções) marca 0,000 em Rice, “completamente dividida”, contra 0,750 aqui. Abstenção em bloco é disciplina partidária exibida, não colapso.

E a coesão crua é enviesada pelo tamanho da bancada, muito: sob voto puramente aleatório, uma bancada de 2 marca 0,625 e uma de 90 marca 0,313. Publicar sem corrigir produziria um ranking de partidos mais coesos do Brasil cuja ordenação é, na prática, o inverso do tamanho.

Coesão, corrigida pelo acaso0–1, comparável entre bancadas de tamanhos diferentes
AI=máx{S,N,A}−12(total−máx)total
coesão=AI−E(n)1−E(n)
S, N, A
Votos sim, não e abstenções da bancada naquela votação.
E(n)
O valor esperado do índice sob voto aleatório para uma bancada de n — somatório binomial exato.

Cuidado ao conferir contra a literatura: os valores tabelados por aí são do índice de Rice. Sem abstenções as duas escalas são a mesma reta, AI = 0,75·Rice + 0,25.


Prioridade dos temas

Nenhuma das duas casas ordena as próprias proposições. A ordenação da pauta é derivada — e o Votto diz de quê.

Este é o único índice da página que não é sobre uma pessoa: ele ordena a lista de temas e alimenta a etiqueta de urgência. É calculado no momento da importação, a partir de três sinais que as casas publicam.

Prioridade0–100 · recalculável sem reimportar nada
p=limita(regime+situação+recência,0,100)
p≤10quando a tramitação já terminou
arquivo não é pauta
regime
25 a 65, pelo regime de tramitação. Medida Provisória entra no topo por prazo constitucional. O Senado não publica regime, então o vocabulário de situação dele fornece a base — sem isso nenhuma proposição do Senado poderia superar uma da Câmara.
situação
−25 a +25. Estar pautado domina; já ter saído da casa é o que mais precisa de correção.
recência
−8 a +10, pelo tempo desde a última movimentação oficial.
As faixas de prioridade
FaixaIntervalo
Urgente80 – 100
Prioritário60 – 79
Tramitação normal30 – 59
Baixa prioridade0 – 29

A base deixa folga de propósito. Trinta e cinco das 42 proposições pautadas no plenário da Câmara carregam algum regime de urgência — uma base alta marcaria praticamente o plenário inteiro como urgente, e a etiqueta deixaria de informar qualquer coisa.


Quando nada é publicado

Todo piso, toda porta e todo teto em vigor, em uma tabela. Cada um deles é uma decisão de não publicar, e não uma decisão de publicar um número menor.

É a parte da metodologia que mais decide o que você vê. Um índice que sempre produz um número produz números sobre nada — e um zero publicado contra uma pessoa nomeada lê-se como acusação, não como ausência de dado.

Alinhamento
RegraValorConsequência
Temas em comum≥ 1Sem tema em comum não há leitura pessoal — nem 0%, nem 50%.
Dupla abstençãodescartadaO tema sai do numerador e do denominador da leitura pessoal.
Performance política
RegraValorConsequência
Votações mínimas para medir assiduidade10Abaixo disso, uma sessão perdida move a razão em dezenas de pontos: o pilar é ausência.
Licença máxima na janela40%Acima disso a assiduidade não é medida — senão quem esteve ausente quase toda a janela pontuaria perfeitamente por duas sessões.
Meses mínimos de mandato6Sem eles, produção e custo não viram taxa por mês.
Documentos de reembolso> 0Zero documento é “a casa não publicou ainda”, indistinguível de R$ 0 gasto. Ler isso como frugalidade exemplar é exatamente o contrário.
Teto de cota do estadoconhecidoSem o teto publicado do estado, o custo não é medido — uma taxa contra o teto errado é pior que nenhuma.
Cobertura mínima dos pilares50%Abaixo de metade do peso total, o índice inteiro é ausência de leitura.
Piso de cada pilar1Uma média geométrica morre em zero; o piso mantém separáveis as formas distintas de fracassar.
Posicionamento
RegraValorConsequência
Discriminação mínima do item0,20Equivale a um placar de 90/10. Abaixo disso a votação é tratada como unânime e sai da conta.
Peso efetivo mínimo por eixo8Abaixo disso o eixo é ausência de leitura — nunca zero, que é a coordenada do centro.
Itens da casa20A casa inteira fica sem posicionamento. É a porta que exclui o Senado, e ela é mecânica.
Agentes medidos na casa30Abaixo disso as correlações de validação não significam nada.
Correlação com governismo≤ 0,50Acima, o índice mede apoio ao Executivo e a casa é bloqueada.
Correlação com a âncora externa≥ 0,85Sobre ao menos 60% das cadeiras. Abaixo, nada é publicado.
Correlação entre os eixos≤ 0,85Acima, o eixo social alimenta a figura mas não é publicado como número.
Faixa do espectronuncaO veredito de cinco faixas é calculado e não é impresso: cada faixa tem 40 pontos de largura, e um rótulo decidido por ruído é pior que nenhum.

Edições da metodologia

Um número que muda porque a pessoa mudou e um número que muda porque o método mudou são fatos diferentes.

Metas fixas garantem que a nota de um parlamentar não se mova quando outra pessoa muda de conduta. Elas não garantem nada contra nós: recalibrar um peso move todas as leituras do site de uma vez. Por isso cada leitura é carimbada com a edição da metodologia que a produziu, e a edição é impressa ao lado do número.

A edição da performance política carrega ainda uma impressão digital: um hash das metas, dos pesos, do conjunto de pilares e das constantes de ajuste. Mudar qualquer um deles sem declarar uma nova edição faz a verificação automática do projeto falhar — é uma disciplina obrigatória, não uma lembrança.

Em vigor agora
ÍndiceEdiçãoDesdeResumo
Performance política2026.223 de agosto de 2026Metas fixas publicadas, produção em escala logarítmica, média geométrica. Impressão 9bce24a0.
Posicionamento2026.123 de agosto de 2026Dois eixos do CHES, itens pesados por discriminação, pauta do Executivo descontada, validado contra o BLS-9.
Alinhamentosem edição—Uma média de concordância, sem constantes de calibragem. A regra de descarte da dupla abstenção é verificada automaticamente a cada alteração.

Duas coisas ainda são declaradamente provisórias, e é melhor lê-las aqui do que descobri-las depois: os cortes das faixas de performance antecedem as metas fixas e a média geométrica, e o piso de cobertura do posicionamento é o número a recalibrar primeiro contra o histograma real, porque é ele que decide se um eixo chega a ser publicado.


A conta está aberta. O resto é o registro.

Toda leitura publicada traz, ao lado, o número bruto de que ela saiu — quantas votações, quantos temas, qual margem —, e cada tema guarda o link para a página oficial da casa. Qualquer figura desta página pode ser refeita documento por documento.