Documento técnico
A matemática dos índices
Todo número que o Votto publica sobre uma pessoa sai de uma conta. Esta página imprime as contas — as fórmulas, o que entra em cada uma, as constantes em vigor e as condições sob as quais a plataforma se recusa a publicar qualquer coisa.
- Alinhamentosem edição
média simples, sem constantes
- Performance política2026.2
impressão 9bce24a0
- Posicionamento2026.1
23 de agosto de 2026
Nesta página
- 01NotaçãoO que cada símbolo quer dizer.
- 02AlinhamentoCoincidência de voto, tema a tema.
- 03Performance políticaTrês pilares contra metas fixas, em média geométrica.
- 04PosicionamentoDois eixos, itens pesados pela divisão que produziram.
- 05Do parlamentar ao partidoEncolhimento parcial e coesão corrigida por tamanho.
- 06Prioridade dos temasA ordenação da pauta.
- 07Quando nada é publicadoTodos os pisos e portas, em uma tabela.
- 08EdiçõesComo uma mudança de método fica visível.
A versão sem matemática desta página é a Sobre o projeto, e ela é suficiente para entender o que cada índice mede. Aqui está o resto: o que um leitor precisa para refazer a conta ou para discordar dela com precisão.
Nada nesta página é ilustrativo. Todas as constantes impressas aqui são lidas do código que calcula os índices — se uma meta for recalibrada, o número muda aqui no mesmo instante em que muda no cálculo. É a única forma de uma página de metodologia continuar verdadeira depois da primeira recalibragem.
Notação
Três convenções valem para tudo o que vem depois.
- s(v)
- O voto v na reta −1…+1. Vale igualmente para o voto de um cidadão e para o voto registrado de um parlamentar.
- Números em ocre são constantes publicadas. Elas não saem da aritmética: são decisões de calibragem, e cada uma delas está listada na tabela da seção Quando nada é publicado.
- “—” não é zero. Quando uma medida não alcança o piso de cobertura, o resultado é ausência de leitura, e não uma leitura de valor zero. A distinção é a mais importante da página: no eixo econômico, zero é a coordenada de um centrista perfeito, e imprimir dado faltando naquela posição seria afirmar que a pessoa é moderada.
- Toda escala é fechada e publicada. Alinhamento e performance vão de 0 a 100; os eixos de posicionamento vão de −100 a +100; a prioridade de um tema vai de 0 a 100.
Índice de alinhamento
Quanto duas trajetórias de voto coincidem, sobre os temas em que as duas se manifestaram.
É a leitura principal da plataforma e a mais simples de todas: uma média de concordância par a par. Não há peso por tema, nota editorial nem correção por partido — a única decisão de método está em quais temas entram na conta.
- ui
- O seu voto no tema i.
- pi
- O voto do parlamentar no mesmo tema.
- S
- O conjunto dos temas em que os dois votaram, já sem as duplas abstenções.
A regra de descarte é a de euandi e smartvote para “sem opinião”. A distância ingênua sobre {−1, 0, 1} daria 1,0 — acordo perfeito — a duas abstenções, que é o comportamento mais criticado do Wahl-O-Mat.
| Situação | Distância | Vale |
|---|---|---|
| Mesma escolha | 0 | 1 |
| Um lado neutro, o outro não | 1 | ½ |
| Sim contra Não | 2 | 0 |
| Os dois neutros | 0 | fora da conta |
A última linha é a que ninguém adivinha, porque a aritmética óbvia diz o contrário: a distância entre duas abstenções é zero, e uma fórmula de distância pura marcaria 100% de acordo. Duas pessoas que se recusaram a tomar posição não concordaram sobre nada — e o efeito não seria ruído aleatório, seria inflar exatamente a leitura de quem mais se abstém.
- S
- Quantos temas informaram a leitura — o número impresso ao lado do índice em toda a plataforma.
A leitura publicada: o agente contra a própria base
O índice acima exige que você tenha votado. Sem sessão iniciada, a plataforma não pode compará-lo com ninguém — mas ainda pode fazer a pergunta que interessa a qualquer leitor: este parlamentar vota como votam as pessoas que declararam ser representadas por ele?
A base de um agente é o conjunto de cidadãos que o declararam representante. A posição da base em um tema é a média dos votos dela, e é um número contínuo: não é uma escolha entre três valores, é a posição média de um grupo.
- B
- A base: quem declarou aquele agente como representante.
- T
- Os temas em que o agente votou e ao menos um membro da base votou.
- b̄i
- A posição média da base no tema i, entre −1 e +1.
- A regra da dupla abstenção não se aplica aqui, e a diferença é consequência da forma: a posição de uma base é uma média contínua, e só vale exatamente zero quando a base inteira se absteve naquele tema — caso em que a abstenção do parlamentar de fato acompanha a base. No índice pessoal, onde os dois lados são um voto só, o descarte é obrigatório.
- Sem base declarada, entra o eleitorado. A mesma fórmula, com B igual a todos os cidadãos que votaram. É um substituto, não uma leitura equivalente — ninguém é eleito por todo mundo — e a página sempre diz qual das duas está imprimindo. As duas nunca aparecem juntas.
- Nomes de seguidores nunca são publicados, para ninguém, em nenhuma circunstância. Só o total.
- Aj
- O alinhamento do agente j da bancada.
- fj
- Quantos cidadãos declaram o agente j como representante.
A ponderação existe só na leitura de base, e por um motivo estrutural: todo agente enfrenta o mesmo eleitorado, então ali não há peso natural — mas as bases têm tamanhos diferentes, e a base de um partido é a união das bases dos seus membros. Um senador que fala por quatro mil cidadãos não pode contar o mesmo que um deputado que fala por quarenta.
Performance política
Um indicador composto sobre três pilares, construído segundo o manual da OCDE e do Centro Comum de Investigação da União Europeia.
Este índice não depende de concordância nenhuma. Ele pergunta se a pessoa está fazendo o trabalho, e todas as três medidas saem do registro que as próprias casas publicam. A janela é a legislatura corrente — os quatro anos civis em curso.
A decisão central é a normalização: cada pilar é medido contra uma meta fixa e publicada, nunca contra o melhor colega. A consequência é a razão inteira da escolha — a nota de um parlamentar muda quando a conduta dele muda, e em nenhum outro momento. É o que fazem o IDH, o EPI e o Índice ODS.
- x
- A medida bruta do parlamentar.
- pior
- O valor que vale a nota mínima. Congelado e publicado.
- meta
- O valor que vale 100. Congelado e publicado.
OECD/JRC, Handbook on Constructing Composite Indicators, p. 28 — normalizar pelo líder do grupo “baseia-se em valores extremos que podem ser outliers não confiáveis”.
Pilar 1 — Assiduidade
A razão entre votações a que compareceu e votações a que poderia ter comparecido. O denominador desconta três coisas: as sessões fora do período de exercício do mandato, as cobertas por licença oficial, e as que o parlamentar presidiu — os dois regimentos barram quem está na cadeira da presidência de votar em processo aberto, então ler aquele voto ausente como falta é ler o oposto do que aconteceu.
- elegíveis
- Votações nominais da casa ocorridas com o parlamentar em exercício, fora de licença e fora da presidência da sessão.
Pilar 2 — Relatorias e proposições
Relatorias e proposições são um pilar, não dois: são a mesma coisa — o que o parlamentar fez passar pela casa — e separá-las punia a Câmara duas vezes, já que ela publica apenas o último relator de cada proposição.
A medida é lida em escala logarítmica, e isso não é uma preferência estética. A regra de triagem do manual dispara quando a assimetria passa de 2 e a curtose de 3,5; a taxa de produção da Câmara mediu 7,20 e 70,81. Winsorizar não resolve: aparar os cinco casos mais extremos ainda deixa a assimetria em 3,6. A consequência é deliberada e está dita aqui — o quadringentésimo projeto conta menos que o primeiro.
- m
- Meses de mandato dentro da janela.
- α
- A mediana da casa — onde a curvatura do logaritmo começa a morder. É uma taxa com unidade, não uma constante arbitrária.
- c
- Teto de apresentações, derivado das metas da própria casa (abaixo).
log1p(x/α) e não log(x+1): vale exatamente 0 em x = 0, então quem não apresentou nada recebe o piso sem nenhum caso especial.
| Casa | Mediana | Meta (p95) | Teto de apresentações |
|---|---|---|---|
| Câmara dos Deputados | 1,45 | 4,6 | 3,10 /mês |
| Senado Federal | 6,00 | 16 | 10,97 /mês |
As duas casas têm metas diferentes porque a diferença é estrutural e não mérito: 81 senadores dividem aproximadamente o mesmo volume de relatorias que 513 deputados, então a taxa do senador mediano é cerca de quatro vezes a do deputado mediano. Uma meta única classificaria a casa, não a pessoa.
O teto de apresentações existe porque protocolar um projeto custa uma assinatura, e fazê-lo andar não. Ele é derivado, não escolhido: é a taxa em que só as apresentações alcançam 80 de 100 — o topo da faixa “Acima da média” — invertendo a própria fórmula do pilar. Desfecho e relatoria não têm teto e somam por cima.
Derivar em vez de fixar é o que garante que recalibrar uma meta move o teto junto — as duas não podem sair de sincronia.
Pilar 3 — Custo político
Não é uma quantia em reais: é a fatia da cota a que o parlamentar tem direito que ele usou. O teto da cota é publicado por estado e por casa e varia por um fator de 2,4, porque ele paga as passagens para casa — ordenar por reais ordena geografia. A razão é limitada, comparável entre estados e entre casas, e não precisa de nenhum grupo de comparação.
O pilar é a cota parlamentar e nada mais: manutenção de escritório, viagens, combustível, alimentação, divulgação, segurança. Emendas parlamentares estão fora por decisão de método — um deputado que garantiu um bilhão de reais para escolas do seu estado não é um deputado caro, e um índice que confundisse as duas coisas diria o oposto da verdade.
- teto
- O limite mensal publicado para aquele estado e aquela casa.
O piso está acima de 1,00 porque a cota acumula ao longo do ano (Ato da Mesa 43/2009, art. 13): é legítimo gastar mais que um teto mensal em um mês.
A composição dos três
Média geométrica ponderada, e não aritmética. Uma média aritmética é plenamente compensatória: ela dava nota idêntica e respeitável — 63 — a quem nunca comparece, a quem nunca legisla e a quem consome a cota inteira. O manual mostra que agregação aditiva exige independência de preferências, que estes pilares não têm: o valor de mais um projeto não independe de o parlamentar comparecer. O IDH mudou por exatamente esse motivo em 2010.
- xi
- A nota 0–100 do pilar i, com piso 1.
- wi
- O peso do pilar — um terço para cada um dos três.
- M
- Os pilares que puderam ser medidos para aquele parlamentar.
OECD/JRC, Handbook §6.10. O piso de 1 existe porque uma média geométrica morre em zero, o que colapsaria todas as formas distintas de fracassar em um mesmo “0”.
Um pilar que não pode ser medido é ausência, e o peso dele é redistribuído entre os outros — o que é aritmeticamente equivalente a imputar o pilar faltante na média geométrica dos observados. Vale saber, porque significa que um parlamentar cujo pilar faltante seria ruim é favorecido pela lacuna. Abaixo de 0,50 do peso total, nada é publicado: meia figura afirmada como número é pior que número nenhum.
| Faixa | Intervalo | Leitura |
|---|---|---|
| Muito acima da média | 80 – 100 | |
| Acima da média | 60 – 79 | |
| Na média | 40 – 59 | comparativa, nunca avaliativa |
| Abaixo da média | 0 – 39 |
Os cortes das faixas são provisóriose estão declarados como tal: eles antecedem as metas fixas e a média geométrica, e precisam ser recalibrados contra o histograma real. Os rótulos, esses, permanecem comparativos — “muito acima da média” é uma afirmação que a aritmética sustenta; “excelente” seria um veredito sobre uma pessoa nomeada que ela não sustenta.
Posicionamento
Onde uma trajetória de votos cai em dois eixos de valor — e as três portas que decidem se isso pode ser publicado.
Os eixos são os do Chapel Hill Expert Survey, traduzidos, e a escolha é o que torna o resultado conferível contra uma medida externa: Estado ↔ Mercado (LRECON) e Ordem ↔ Liberdades (GALTAN). Não há um número único: o RILE pesa seus dois lados igualmente e o CHES se recusa a colapsar os dele. Um índice de uma dimensão só teria de ser ajustado contra uma referência externa, nunca afirmado.
Este é um cálculo em lote, e a matemática obriga: pesar um tema pela divisão que ele produziu exige a votação da casa inteira, e encolher um partido em direção à média exige a distribuição de todos os partidos.
O peso de um item
A correção mais importante do índice é invisível em uma frase: uma votação em que a casa votou 470 a 21 não separa ninguém. O peso de um item é a discriminação dele, e ela é mensurável, não adivinhável. É também o que neutraliza a composição da pauta — uma sequência de projetos aprovados por aclamação e marcados no mesmo polo deixa de empurrar a casa inteira para lá.
É o parâmetro de discriminação da Teoria de Resposta ao Item, reduzido ao que se pode medir sem ajustar um modelo.
O desconto da pauta do Executivo
A primeira dimensão recuperada das votações nominais brasileiras não é ideologia: é governo ↔ oposição. Medido em dados reais, o primeiro componente principal correlaciona −0,96 com governismo e +0,49 com a escala de especialistas, e põe o PSOL à direita do PSDB — porque o PSOL se opõe ao governo pela esquerda. Isso não se corrige classificando melhor os temas: o sinal de coalizão está nos votos, não nas ementas.
- gj
- Governismo do parlamentar j, 0–100. Exige ao menos 10 oportunidades.
- c
- Contaminação do item, 0–1. Exige ao menos 10 pares; sem eles é “não medido”, que não é o mesmo que “não contaminado”.
- confiança
- 0–1, quanto o classificador confia naquela marcação de eixo.
- magnitude
- 0–1, quanto o tema toca o eixo. A direção é o que se afirma; a magnitude é campo separado justamente por ser menos confiável.
Multiplicadas porque qualquer uma delas em zero torna o item inútil: uma votação unânime, uma decidida pela coalizão, uma marcação em que ninguém confia, um tema que não toca o eixo.
- si
- O sinal do voto multiplicado pela direção da marcação do tema: +1 quando o voto empurra para o polo positivo do eixo, −1 quando empurra para o negativo. Abstenção não move nada.
- itens efetivos
- A soma dos pesos — a cobertura, medida em peso e não em contagem: oito votações unânimes somam quase nada.
O piso de 8 é medido em peso efetivo, e na prática pede da ordem de vinte proposições classificadas e disputadas por eixo. Ele vem de uma analogia com escalas de scorecard: as da ADA usam vinte votações escolhidas a dedo, e vinte votações reais, descontadas pela divisão média do plenário e pela confiança das marcações, somam algo em torno de oito unidades de peso.
Os pesos vêm sempre da casa, nunca de quem está sendo medido, e isso não é detalhe de implementação. Estimar cidadãos e parlamentares num modelo conjunto faria a posição publicada de cada parlamentar depender da razão entre cidadãos e parlamentares na base — quer dizer, da taxa de cadastro da plataforma. A posição de um deputado mudaria porque o Votto ganhou usuários.
- nef
- Com pesos iguais reduz ao familiar n; com pesos desiguais reconhece que um item que pesa dez vezes mais não são dez observações.
- influência
- O maior deslocamento causado por deixar uma única proposição de fora, e qual foi ela. Impresso ao lado da leitura.
A análise de sensibilidade é obrigatória no manual OECD/JRC. Este é o recorte que interessa a um cidadão: se um projeto sozinho move o número em quinze pontos, o número é um relatório sobre aquele projeto.
As portas de publicação
Nada é publicado para uma casa que não passe nas três primeiras. A segunda é o teste que a literatura diz que um índice como este falha em silêncio; a terceira é a que impede o raciocínio circular — um índice construído a partir de votos e validado contra os mesmos votos não está validado.
A quarta não bloqueia nada: ela decide apenas se o segundo eixo sai como número próprio ou se continua alimentando só a figura.
| Porta | Critério | Limiar | Se falhar |
|---|---|---|---|
| 1 · Cobertura | Votações classificadas e divididas; agentes com leitura | 20 itens · 30 agentes | a casa inteira fica sem posicionamento |
| 2 · Falseamento | Correlação entre o eixo econômico dos agentes e o governismo deles | ≤ 0,50 | o índice está medindo apoio ao Executivo e chamando de ideologia |
| 3 · Âncora externa | Spearman entre a ordenação partidária e as pesquisas de especialistas | ≥ 0,85 sobre 60% das cadeiras | a ordenação não corresponde a nenhuma medida externa |
| 4 · Colinearidade | Correlação entre os dois eixos | ≤ 0,85 | o eixo social alimenta a figura, mas não é publicado como número próprio |
O piso de 0,85 na âncora não é arbitrário: as medidas brasileiras de especialistas concordam entre si a 0,947–0,988, enquanto a análise de manifestos — a única família que a literatura já trata como medindo outra coisa — fica em 0,575 contra o CHES. O corte é o que separa a primeira família da segunda. Um partido sem âncora publicada simplesmente fica de fora da correlação: interpolar um valor dentro da régua que valida o índice faria o índice validar a interpolação.
A quarta porta descreve o resultado esperado no Brasil, não uma anomalia: nos onze partidos brasileiros do CHES-LA, a correlação entre os dois eixos mede 0,94. O resíduo é real — separa a direita economicamente liberal da direita moral-autoritária — mas é um décimo da variância, carregado por dois partidos. É uma forma, não um segundo veredito.
Por que a faixa não é impressa
As cinco faixas (Esquerda, Centro esquerda, Centro, Centro direita, Direita) existem no código e não são publicadas. Cada uma tem 40 pontos de largura sobre a reta de −100 a +100, então um intervalo de 95% que não caiba dentro de uma delas significa que o rótulo seria decidido por ruído.
Mesma ideia do “não separa” de Goldstein & Spiegelhalter sobre tabelas de liga: cerca de dois terços de todas as comparações possíveis não permitem separação.
O que as páginas de registro mostram no lugar do veredito são as duas leituras de eixo com a contagem bruta de projetos classificados, a margem e a proposição mais influente quando uma sozinha move o número — a convenção do Voteview, em que a estatística de ajuste viaja junto com a estimativa.
Do parlamentar ao partido
Bancadas vão de 1 a 90 membros. A média simples de uma bancada de um publica a excentricidade de uma pessoa como a posição de um partido.
O Votto publica “o quanto este partido está alinhado com você”, que é uma afirmação sobre o partido como ator — existe uma posição latente e os membros são leituras ruidosas dela. É só isso que licencia o encolhimento abaixo; se a afirmação fosse a tendência central de quem hoje ocupa as cadeiras, a média simples seria a resposta certa.
- vi
- Variância amostral do próprio membro — o quadrado do erro padrão da leitura dele.
- ψ
- Dispersão real dentro do partido, já com o ruído de medição descontado.
- τ
- Espalhamento entre partidos.
- μ
- A média da casa — o alvo do encolhimento.
- B
- Confiabilidade, 0–1: a fração do desvio da bancada em relação à casa que é sinal e não ruído.
- m
- σ²/τ² — quantos membros fictícios, parados na média da casa, todo partido carrega.
A diferença para o IMDb é que ali m é escolhido e aqui é estimado dos dados, por DerSimonian–Laird: τ̂² = máx(0, (Q − (k−1)) / C).
O limitador, e o problema Clemente
Encolher minimiza o erro total maltratando sistematicamente o indivíduo genuinamente extremo. Efron mostra isso na própria série que popularizou o método: James–Stein ganha no agregado e perde para a média simples em 4 dos 18 jogadores, perdendo feio no caso de Roberto Clemente — o melhor rebatedor do grupo, puxado para a média porque a média é onde quase todo mundo está.
Aqui os extremos genuínos são exatamente os partidos cuja posição é notícia. Por isso o encolhimento vem com o limitador de translação limitada de Efron & Morris: o deslocamento nunca passa de um erro padrão da média observada. Isso limita a injustiça máxima cometida contra um partido nomeado a uma grandeza que dá para escrever na página — e a média observada é publicada ao lado da encolhida, sempre.
Coesão
A coesão de uma bancada é o Índice de Concordânciade Hix, Noury & Roland — e não o índice de Rice, que ignora a abstenção. Uma bancada que se abstém em bloco (10 sim, 10 não, 100 abstenções) marca 0,000 em Rice, “completamente dividida”, contra 0,750 aqui. Abstenção em bloco é disciplina partidária exibida, não colapso.
E a coesão crua é enviesada pelo tamanho da bancada, muito: sob voto puramente aleatório, uma bancada de 2 marca 0,625 e uma de 90 marca 0,313. Publicar sem corrigir produziria um ranking de partidos mais coesos do Brasil cuja ordenação é, na prática, o inverso do tamanho.
- S, N, A
- Votos sim, não e abstenções da bancada naquela votação.
- E(n)
- O valor esperado do índice sob voto aleatório para uma bancada de n — somatório binomial exato.
Cuidado ao conferir contra a literatura: os valores tabelados por aí são do índice de Rice. Sem abstenções as duas escalas são a mesma reta, AI = 0,75·Rice + 0,25.
Prioridade dos temas
Nenhuma das duas casas ordena as próprias proposições. A ordenação da pauta é derivada — e o Votto diz de quê.
Este é o único índice da página que não é sobre uma pessoa: ele ordena a lista de temas e alimenta a etiqueta de urgência. É calculado no momento da importação, a partir de três sinais que as casas publicam.
- regime
- 25 a 65, pelo regime de tramitação. Medida Provisória entra no topo por prazo constitucional. O Senado não publica regime, então o vocabulário de situação dele fornece a base — sem isso nenhuma proposição do Senado poderia superar uma da Câmara.
- situação
- −25 a +25. Estar pautado domina; já ter saído da casa é o que mais precisa de correção.
- recência
- −8 a +10, pelo tempo desde a última movimentação oficial.
| Faixa | Intervalo |
|---|---|
| Urgente | 80 – 100 |
| Prioritário | 60 – 79 |
| Tramitação normal | 30 – 59 |
| Baixa prioridade | 0 – 29 |
A base deixa folga de propósito. Trinta e cinco das 42 proposições pautadas no plenário da Câmara carregam algum regime de urgência — uma base alta marcaria praticamente o plenário inteiro como urgente, e a etiqueta deixaria de informar qualquer coisa.
Quando nada é publicado
Todo piso, toda porta e todo teto em vigor, em uma tabela. Cada um deles é uma decisão de não publicar, e não uma decisão de publicar um número menor.
É a parte da metodologia que mais decide o que você vê. Um índice que sempre produz um número produz números sobre nada — e um zero publicado contra uma pessoa nomeada lê-se como acusação, não como ausência de dado.
| Regra | Valor | Consequência |
|---|---|---|
| Temas em comum | ≥ 1 | Sem tema em comum não há leitura pessoal — nem 0%, nem 50%. |
| Dupla abstenção | descartada | O tema sai do numerador e do denominador da leitura pessoal. |
| Regra | Valor | Consequência |
|---|---|---|
| Votações mínimas para medir assiduidade | 10 | Abaixo disso, uma sessão perdida move a razão em dezenas de pontos: o pilar é ausência. |
| Licença máxima na janela | 40% | Acima disso a assiduidade não é medida — senão quem esteve ausente quase toda a janela pontuaria perfeitamente por duas sessões. |
| Meses mínimos de mandato | 6 | Sem eles, produção e custo não viram taxa por mês. |
| Documentos de reembolso | > 0 | Zero documento é “a casa não publicou ainda”, indistinguível de R$ 0 gasto. Ler isso como frugalidade exemplar é exatamente o contrário. |
| Teto de cota do estado | conhecido | Sem o teto publicado do estado, o custo não é medido — uma taxa contra o teto errado é pior que nenhuma. |
| Cobertura mínima dos pilares | 50% | Abaixo de metade do peso total, o índice inteiro é ausência de leitura. |
| Piso de cada pilar | 1 | Uma média geométrica morre em zero; o piso mantém separáveis as formas distintas de fracassar. |
| Regra | Valor | Consequência |
|---|---|---|
| Discriminação mínima do item | 0,20 | Equivale a um placar de 90/10. Abaixo disso a votação é tratada como unânime e sai da conta. |
| Peso efetivo mínimo por eixo | 8 | Abaixo disso o eixo é ausência de leitura — nunca zero, que é a coordenada do centro. |
| Itens da casa | 20 | A casa inteira fica sem posicionamento. É a porta que exclui o Senado, e ela é mecânica. |
| Agentes medidos na casa | 30 | Abaixo disso as correlações de validação não significam nada. |
| Correlação com governismo | ≤ 0,50 | Acima, o índice mede apoio ao Executivo e a casa é bloqueada. |
| Correlação com a âncora externa | ≥ 0,85 | Sobre ao menos 60% das cadeiras. Abaixo, nada é publicado. |
| Correlação entre os eixos | ≤ 0,85 | Acima, o eixo social alimenta a figura mas não é publicado como número. |
| Faixa do espectro | nunca | O veredito de cinco faixas é calculado e não é impresso: cada faixa tem 40 pontos de largura, e um rótulo decidido por ruído é pior que nenhum. |
Edições da metodologia
Um número que muda porque a pessoa mudou e um número que muda porque o método mudou são fatos diferentes.
Metas fixas garantem que a nota de um parlamentar não se mova quando outra pessoa muda de conduta. Elas não garantem nada contra nós: recalibrar um peso move todas as leituras do site de uma vez. Por isso cada leitura é carimbada com a edição da metodologia que a produziu, e a edição é impressa ao lado do número.
A edição da performance política carrega ainda uma impressão digital: um hash das metas, dos pesos, do conjunto de pilares e das constantes de ajuste. Mudar qualquer um deles sem declarar uma nova edição faz a verificação automática do projeto falhar — é uma disciplina obrigatória, não uma lembrança.
| Índice | Edição | Desde | Resumo |
|---|---|---|---|
| Performance política | 2026.2 | 23 de agosto de 2026 | Metas fixas publicadas, produção em escala logarítmica, média geométrica. Impressão 9bce24a0. |
| Posicionamento | 2026.1 | 23 de agosto de 2026 | Dois eixos do CHES, itens pesados por discriminação, pauta do Executivo descontada, validado contra o BLS-9. |
| Alinhamento | sem edição | — | Uma média de concordância, sem constantes de calibragem. A regra de descarte da dupla abstenção é verificada automaticamente a cada alteração. |
Duas coisas ainda são declaradamente provisórias, e é melhor lê-las aqui do que descobri-las depois: os cortes das faixas de performance antecedem as metas fixas e a média geométrica, e o piso de cobertura do posicionamento é o número a recalibrar primeiro contra o histograma real, porque é ele que decide se um eixo chega a ser publicado.
A conta está aberta. O resto é o registro.
Toda leitura publicada traz, ao lado, o número bruto de que ela saiu — quantas votações, quantos temas, qual margem —, e cada tema guarda o link para a página oficial da casa. Qualquer figura desta página pode ser refeita documento por documento.