O projeto
Sobre o Votto
O Votto é um complemento à democracia representativa: um canal onde cada cidadão se posiciona sobre o que está em pauta — e onde essa posição pode ser comparada, tema a tema, com a de quem o representa.
- Câmara dos Deputados6.473
- Senado Federal4.894
A proposta
Por que somar um canal direto a uma estrutura que já funciona por representação.
A democracia representativa nasceu de uma limitação prática. Uma população inteira não podia se reunir para deliberar sobre cada lei, cada emenda e cada ato do Executivo — então elegeu quem deliberasse em seu nome. A limitação era técnica, e hoje, em boa medida, ela não existe mais.
O Votto não propõe substituir essa estrutura, e não tem nenhum poder para isso. Propõe somar a ela um canal direto: você se posiciona sobre os temas nacionais, estaduais e municipais que estão em votação, e a plataforma mede a distância entre as suas escolhas e as escolhas registradas de cada agente público e de cada partido.
Isso serve aos dois lados da relação. Ao cidadão, que passa a saber com número — e não com impressão — o quanto quem o representa de fato o representa. E ao representante, que passa a ter uma leitura contínua de quem o elegeu, em vez de uma leitura a cada quatro anos.
O que o Votto não é
Delimitar o que a plataforma não faz é o que torna legível o que ela faz.
- Não é uma rede social. Não há perfil público, linha do tempo, comentário nem resposta. Você vota; ninguém debate com você.
- Não é uma pesquisa de opinião. Não há amostra, recorte demográfico nem projeção para a população. São os votos de quem se cadastrou, somados como estão.
- Não é uma substituição da urna. Nada aqui elege, destitui ou obriga ninguém a nada.
- Não é um placar de torcida. O índice mede coincidência de voto tema a tema — não simpatia, não intenção declarada, não discurso.
- Não tem opinião própria. O Votto não defende posição sobre nenhum tema e não recomenda candidato. Ele publica contas sobre votos que já são públicos.
Como funciona, do começo ao fim
O percurso de um projeto de lei até virar um número na sua tela.
- 01
A pauta entra
A Câmara e o Senado publicam, em bases abertas, tudo o que apresentam, o que tramita e o que vai a voto. O Votto lê essas bases e transforma cada proposição em um tema — com o identificador oficial, a situação atual e o link de volta para a página da casa.
- 02
O tema é traduzido
Texto legislativo é escrito para o processo legislativo, não para você. Ao lado dele publicamos um título e um resumo em português corrente. O texto oficial não é substituído nem reescrito: continua ali, e continua sendo a fonte.
- 03
Você se posiciona
Sim, Não ou Neutro. Sem campo de comentário, sem justificativa, sem réplica. Um voto de um minuto pesa o mesmo que um voto de uma hora.
- 04
Os índices se movem
A cada voto seu, o seu alinhamento com cada agente público e com cada partido é recalculado. Nada disso depende de você acertar quem procurar: o número existe para todos, o tempo todo.
Os índices, sem matemática
São três, e respondem a perguntas diferentes: o primeiro compara você com alguém, o segundo pergunta se essa pessoa está fazendo o trabalho, e o terceiro descreve onde ela está.
Índice de Alinhamento
O quanto essa pessoa vota como você
É a leitura principal da plataforma, e ela é deliberadamente simples. Toma-se apenas os temas em que vocês dois votaram e conta-se quantas vezes vocês escolheram a mesma coisa:
- A mesma escolha vale 1 ponto.
- Escolhas opostas — um Sim contra um Não — valem 0.
- Um lado neutro e o outro não vale ½: não é acordo, mas também não é conflito.
A média desses pontos, em porcentagem, é o índice. 100% é um histórico idêntico ao seu; 0% é o oposto exato, tema a tema. Não há peso secreto, nota editorial nem correção por partido.
| Tema | Você | A deputada | Vale |
|---|---|---|---|
| Isenção de imposto sobre medicamentos | Sim | Sim | 1 |
| Regras do saneamento básico | Não | Não | 1 |
| Reajuste do salário mínimo | Sim | Sim | 1 |
| Licenciamento ambiental | Não | Não | 1 |
| Reforma administrativa | Sim | Neutro | ½ |
| Redução da maioridade penal | Não | Sim | 0 |
| Demarcação de terras indígenas | Neutro | Neutro | — |
4,5 pontos em 6temas — o sétimo saiu da conta, porque dois “Neutro” não são um acordo. Nada além disso entra.
Três coisas que esse número não diz
- Ele só enxerga o que vocês têm em comum. Um deputado que votou em quatrocentos temas, dos quais você votou em três, é medido nesses três. Por isso a plataforma sempre imprime, ao lado do índice, quantos temas ele está medindo — um alinhamento de 100% sobre dois temas diz muito menos do que um de 71% sobre cento e quarenta.
- Ele mede coincidência, não concordância de motivo. Duas pessoas podem votar Não no mesmo projeto por razões opostas. O índice conta o voto, que é o que fica registrado.
- Ele não existe para quem ainda não votou. Sem votos seus não há o que comparar — é por isso que o alinhamento pessoal só aparece depois de entrar e votar nos primeiros temas.
O alinhamento de um partido é a média do alinhamento dos seus parlamentares em exercício. Um partido não vota; quem vota são as pessoas que o compõem, e é sobre elas que a conta é feita.
Quando você ainda não entrou, as listas não ficam vazias — mas o número muda de pergunta. No lugar do seu alinhamento pessoal, cada agente mostra o alinhamento com a sua base: os cidadãos que declararam ali, na plataforma, que aquela pessoa os representa. É a pergunta honesta, porque ninguém é eleito por todo mundo. Enquanto um agente não tem base declarada — ou enquanto ela ainda não votou em nada que ele tenha votado — entra no lugar o alinhamento com o conjunto de todos os cidadãos que votaram. É um substituto, e a página sempre diz qual das duas leituras está imprimindo.
Performance política
Se essa pessoa está fazendo o trabalho
Os outros dois índices dependem de opinião — a sua, ou a de quem se declara representado. Este não depende de nenhuma. Ele faz uma pergunta que não tem lado: essa pessoa está fazendo o trabalho para o qual foi eleita?
Um parlamentar que quase não comparece, não propõe nada e consome a cota inteira pode estar 100% alinhado com quem pensa como ele. O alinhamento não enxerga isso; era para isso que faltava um segundo número. Ele sai de três medidas de peso igual, todas tiradas do registro que as próprias casas publicam, combinadas pelo método que a OCDE e o Centro Comum de Investigação da União Europeia publicam para índices compostos — o mesmo que sustenta o Índice de Desenvolvimento Humano.
- Assiduidade
Votações a que compareceu, entre as que houve enquanto ocupava a cadeira.
- Relatorias e proposições
Projetos apresentados e relatados, por mês de mandato. Os que andaram contam em dobro.
- Custo político
Fatia da cota a que tem direito que foi usada — o teto varia por estado. Gastar menos pontua mais.
O que faz esse número ser honesto
- A régua é fixa e publicada, não o melhor colega. Cada medida é comparada com uma meta congelada: comparecer a todas as votações vale 100, usar metade da cota a que se tem direito vale 100. Isso tem uma consequência que é o motivo inteiro da escolha — a nota de um parlamentar só muda quando ele muda. Na versão anterior, medida contra o melhor da turma, bastava um colega apresentar o dobro de projetos para a nota de todos os outros cair, sem que ninguém tivesse feito nada diferente.
- O número bruto vem sempre junto. A barra nunca aparece sozinha — 92% · 312 de 340 votações. A meta forma o índice; o número é o que você lê, e é o que permite conferir a conta documento por documento.
- Protocolar projetos não leva ao topo. Apresentar um projeto custa uma assinatura; fazê-lo andar, não. Por isso a apresentação satura: sozinha, ela chega a 80 de 100 nessa medida e para. Os últimos 20 pontos exigem desfecho — projeto que avançou — ou relatoria. É a defesa contra encher o gabinete de proposições que ninguém vai votar.
- Falhar numa medida não se compra com as outras. As três notas entram numa média geométrica. Numa média simples, quem nunca aparece, quem nunca legisla e quem gasta a cota inteira terminavam todos com a mesma nota confortável — é o mesmo motivo pelo qual o Índice de Desenvolvimento Humano trocou de média em 2010.
- O que não dá para medir não vira zero. Um pilar sem dados sai da conta e o peso dele se redistribui entre os outros. Se sobrar menos da metade do peso, o agente não recebe nota nenhuma — a página diz que não há leitura. Um zero, aqui, seria uma acusação, e não um dado faltando.
- As faixas são comparativas, nunca avaliativas.“Acima da média”, “na média” — e não “excelente” ou “ruim”. O que o número mede é atividade registrada, não virtude, e as palavras dizem exatamente isso. Um veredito sobre uma pessoa com nome e sobrenome é a última coisa que este índice pode enunciar de leve.
- Toda mudança de regra é datada. Cada nota carrega a edição da metodologia que a produziu, e a edição só muda quando um peso, uma meta ou uma constante muda — o que é verificado automaticamente, não lembrado. Assim dá para distinguir uma nota que se moveu porque o parlamentar mudou de uma que se moveu porque nós mudamos.
“Custeio” é a cota parlamentar, e só ela
O pilar mede o que o mandato consome para funcionar: escritório, viagem, combustível, alimentação, divulgação, segurança. E mede em fração da cota a que aquele parlamentar tem direito, não em reais: o teto vai de R$ 41,6 mil no Distrito Federal a R$ 58,5 mil em Roraima, porque paga as passagens de volta para casa. Ranquear por reais ranqueia a distância de Brasília.
Emenda parlamentar fica de fora de propósito.Um deputado que destinou um bilhão de reais para escolas do seu estado não é um deputado caro — e um índice que somasse as duas coisas diria exatamente o contrário da verdade sobre ele. Por isso o pilar nunca é chamado de “verba pública” nem de “economia”: ele é o custo de operar o gabinete, e nada mais.
Índice de Posicionamento
Onde essa pessoa está
O terceiro índice não compara ninguém com ninguém: descreve uma trajetória de votos em dois eixos de valor. Votar Sim empurra a pessoa na direção em que a proposição foi classificada, votar Não empurra na direção contrária, e o Neutro não move nada.
As definições dos dois eixos não são nossas. São as do Chapel Hill Expert Survey, traduzidas e não adaptadas — a régua com que a ciência política posiciona partidos há vinte e cinco anos. Usar a definição de outra gente é o que permite conferir o nosso resultado contra o dela, em vez de contra nós mesmos.
É o índice mais difícil dos três, e o que mais se recusa a falar. Ele tem um piso de cobertura abaixo do qual não diz nada, um teste que precisa passar contra si mesmo, e uma régua externa contra a qual é conferido. Falhando qualquer um dos três, a leitura não aparece — e o resto desta seção é o que cada um deles verifica.
Privatização, impostos, regulação, gasto público e previdência. O polo Estado quer o poder público atuando na economia; o polo Mercado quer esse papel reduzido.
Liberdades pessoais — aborto, união homoafetiva, drogas — de um lado; ordem, tradição e autoridade moral do Estado sobre condutas, do outro.
Nem toda votação vale a mesma coisa
O peso de uma proposição é o quanto ela dividiu a casa. Um projeto aprovado por 470 a 21 não separa ninguém de ninguém e vale zero; um decidido por 260 a 231 vale quase tudo.
Isso é o que impede o índice de medir a composição da pauta em vez das pessoas. A maior parte do que a Câmara aprova é aprovada por quase todo mundo — um quarto das votações nominais de 2025 está na faixa que vale zero. Sem esse peso, uma sequência de projetos consensuais empurraria a casa inteira para o mesmo lado, e o número diria mais sobre o que foi pautado do que sobre quem votou.
| Como a casa votou | Divide? | É do governo? | Peso |
|---|---|---|---|
| Aprovada por aclamação470 × 21 | 0,09 | — | 0 |
| Disputada, sem orientação do governo260 × 231 | 0,94 | 0,10 | 0,85 |
| Disputada, na pauta do Executivo290 × 190 | 0,79 | 0,88 | 0,09 |
Uma votação que quase ninguém disputou não diz onde alguém está. Uma que a coalizão decidiu diz de que lado do governo a pessoa está — que é uma coisa real, mas é outra coisa.
No Brasil, votação nominal mede governo e oposição antes de medir esquerda e direita
Isto é um resultado consolidado da ciência política brasileira, não uma opinião nossa. Quando se extrai a principal linha de divisão das votações da Câmara, o que aparece não é esquerda contra direita: é quem está com o governo contra quem está contra.
Nós medimos isso nas nossas próprias fontes, em 87 votações nominais entre 2024 e 2025. A principal linha de divisão correlaciona −0,96 com apoio ao governo e apenas +0,49 com a escala de esquerda↔direita que a literatura usa. O sintoma é fácil de reconhecer: um partido de esquerda que faz oposição ao governo do momento aparece à direita de partidos que estão muito longe dele, porque a conta lê oposição como direita. E o erro troca de lado junto com o governo — sob um presidente de direita, os mesmos partidos trocam de lugar sem que nenhum deles tenha mudado de ideia sobre coisa alguma.
Classificar melhor as proposições não resolve: o sinal de coalizão está nos votos, não nas ementas. Então fazemos duas coisas. As votações em que a liderança do governo orientou a bancada têm o peso descontado — a Câmara publica essas orientações, e nós as importamos. E antes de qualquer coisa ser publicada, o índice é testado contra si mesmo: se a posição econômica que ele calcula ainda correlacionar demais com apoio ao governo, nada é publicado. Um índice de governismo com rótulo de ideologia é um erro silencioso por construção, e essa é a porta que o torna barulhento.
O que faz esse número ser honesto
- Sem dado, não há leitura — e não há centro. Zero, nesses eixos, é a coordenada de quem está exatamente no meio; não é a de quem não foi medido. Confundir as duas coisas colocaria no centro justamente quem o índice não conseguiu ler, que é a pior leitura possível porque é a mais plausível. Quem não tem proposições classificadas suficientes não recebe figura nenhuma, e a página diz isso em vez de desenhar.
- Proposição que não mede posição fica de fora, por regra publicada. Homenagem, data comemorativa, denominação de rodovia, requerimento de urgência, destaque, peça orçamentária. Quase 59% das votações do Plenário da Câmara em 2025 são de rito, não de mérito. O filtro é mecânico de propósito: no instante em que alguém aqui escolhesse a dedo quais projetos contam, o Votto passaria a ter uma ideologia — e a única defesa contra isso é não haver escolha para fazer.
- A margem vem junto do número. Uma posição de −40 com margem de ±25 e uma de −40 com margem de ±6 são afirmações diferentes. Ao lado de cada eixo está quantas proposições o sustentam e, quando uma sozinha desloca a leitura em mais de cinco pontos, o aviso de que ela existe.
- O Senado não recebe posicionamento, e o motivo é aritmético. Em dezoito meses ele publicou 14 votações nominais com placar, a maioria quase unânime. O regimento é a causa: na maior parte das decisões do Senado, o voto do líder vale pelo da bancada e ninguém vota individualmente. Catorze votações não posicionam nem uma pessoa.
- Abstenção não move nada. No parlamento, abstenção e obstrução são manobras de regimento sob orientação de bancada — não são opinião sobre o mérito, e tratá-las como opinião seria inventar uma.
E os partidos
Um partido não vota. Tudo o que se pode dizer dele vem dos seus parlamentares, e a pergunta é como somá-los. A resposta ingênua — a média — quebra nos dois extremos: uma bancada de noventa fica à mercê de quem mais votou dentro dela, e uma bancada de um publica a excentricidade de uma pessoa como se fosse a posição de um partido.
O que usamos é o mesmo mecanismo por trás da nota do IMDb, e a frase é literal: todo partido é pontuado como se tivesse alguns membros a mais, parados na média da casa. Uma bancada de noventa mal os sente. Uma bancada de um é quase só eles. A diferença para o IMDb é que lá esse número de membros imaginários é escolhido, e aqui ele é calculado a partir do quanto os partidos de fato se espalham.
Isso tem um custo conhecido, e ele é o partido genuinamente extremo, que é puxado para o meio junto com os demais. Por isso o deslocamento é limitado: nenhuma bancada é movida mais que uma margem de erro da sua própria média. E a média original aparece na página ao lado da ajustada — encolher é uma decisão de método, e uma decisão de método que muda o número de um partido tem de estar visível onde o número está.
Ao lado da posição vem o quanto a bancada se espalha. Um partido em zero porque todos os seus membros estão em zero e um partido em zero porque metade está em cada extremo são fatos opostos com o mesmo número, e imprimir só a média afirma o primeiro. Na prática a diferença é enorme: há bancadas que votam juntas em quase toda votação e há bancadas em que isso acontece em dois terços delas.
Por que continuamos sem dizer “esquerda” ou “direita”
A conta que reduz os dois eixos a uma das cinco faixas do espectro existe e está pronta. Ela não está publicada, e isso é uma escolha, não um esquecimento.
Para uma faixa aparecer, três portas têm de abrir: a pessoa precisa ter proposições classificadas suficientes; o índice inteiro precisa ter passado no teste contra governismo e na comparação com as réguas externas; e — a que mais barra — a margem de erro precisa caber dentro de uma única faixa. Com cinco faixas em duzentos pontos, cada uma tem quarenta; uma margem maior que isso significa que o rótulo seria decidido por ruído, e não pela pessoa.
Há também um precedente que vale mais que qualquer argumento nosso. Em setembro de 2024 o Reino Unido aboliu a nota única das escolas — a palavra que resumia toda uma inspeção — por ser “redutora” e “de baixa informação para as famílias e alto risco para as escolas”, depois de um inquérito ligar o processo à morte de uma diretora. Quatro notas separadas substituíram a palavra única.
Repare também em quem dánota de faixa por aí. Os testes de posicionamento que atribuem um rótulo são, sem exceção, os que não publicam método — um deles responde, quando perguntado como calcula: “temos política estrita contra divulgar essa informação”. As ferramentas eleitorais levadas a sério na Alemanha, na Holanda, na Suíça e no Canadá publicam um número e uma ordem, e nenhuma delas batiza categoria.
Contra o que isso é conferido
Um índice feito de votos e conferido contra os mesmos votos não está conferido — está andando em círculo. Por isso a ordenação que sai daqui é comparada com duas medidas construídas por outras pessoas, por outro método, antes de nós.
A primeira é a classificação ideológica dos partidos brasileiros feita por 515 cientistas políticos em 2022 — microdados abertos. A segunda é o Brazilian Legislative Survey, que pergunta a parlamentares federais, sob anonimato, onde cada partido está. As medidas desse tipo concordam entre si acima de 0,94; se a nossa não chegar perto disso, nada é publicado.
Isso dá uma prova dos nove. Existem partidos cuja posição não está em disputa por ninguém — aqueles em que todas as réguas independentes concordam, e concordam dentro de uma fração de ponto. É contra eles que o índice é conferido primeiro: se ele puser no centro um partido que nenhuma medida externa põe lá, está errado — e é assim que a gente descobre, antes de publicar em vez de depois.
Os princípios
Quatro regras que não são negociadas por funcionalidade nenhuma.
- Segurança primeiro. A plataforma é construída para que um vazamento não exponha nada além do seu primeiro e do seu último nome.
- Coleta mínima. Se um dado não é indispensável para votar ou para calcular um índice, ele não é pedido — mesmo quando é oferecido de graça.
- Seu voto é anônimo. Nenhuma tela, API, widget ou exportação mostra como uma pessoa votou. O que é público são somas.
- Um voto por pessoa por tema. Sem isso, todo o resto — estatística, alinhamento, ranking — vira ficção.
As escolhas, e por quê
Cada uma delas tem um custo. Estão aqui com o motivo que fez o custo valer a pena.
Por que pedimos CPF
Porque a regra da plataforma é um voto por pessoa por tema, e não existe no Brasil outro identificador que sirva a isso.
O número não fica guardado como você o digita: ele é criptografado, e o que garante a unicidade é um código derivado dele do qual não se volta ao CPF original. Em claro ficam apenas os seis primeiros dígitos, que sozinhos não identificam ninguém.
Por que a entrada é pelo Google, Apple ou Meta
Porque assim você não cria senha no Votto — e o que não existe não vaza.
São duas provas diferentes, e nenhuma basta sozinha: o provedor mostra que você controla aquela conta, mas não diz quem você é no Brasil; o CPF, conferido com nome e data de nascimento no registro da Receita Federal, diz.
E vale dizer até onde isso vai. A conferência garante que o CPF existe, é regular e que você sabe o nome e a data de nascimento por trás dele — não que ele é seu. Quem sabe o CPF e o aniversário de um parente passa. É o ponto de partida assumido, e o próximo passo provável é uma confirmação bancária.
Por que não guardamos seu e-mail
Todos os provedores oferecem, e é tentador aceitar. Guardar seria colocar um segundo identificador seu dentro de um eventual vazamento, sem nenhum ganho para o que a plataforma faz. Também não guardamos telefone, endereço, foto de perfil nem lista de contatos.
Por que não há comentários
Porque um campo de texto muda o que está sendo medido. Passa a medir quem escreve melhor, quem tem mais tempo livre e quem grita mais alto.
Sem ele, a única coisa que a plataforma sabe sobre a sua opinião é a mesma que sabe sobre a de qualquer outra pessoa: Sim, Não ou Neutro.
Por que só dados oficiais
Todo tema e todo voto de agente público vem da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, com o identificador oficial e o link de volta para a página da casa. Nada é editorializado no caminho.
É o que permite a única verificação que importa: se um número aqui estiver errado, dá para conferir na fonte.
Por que perguntamos quem representa você
O voto é secreto, então a plataforma não pode perguntar em quem você votou. Declarar quem o representa é o análogo possível: uma afirmação do presente, revogável a qualquer momento.
É ela que forma a base de cada agente — o grupo contra o qual o alinhamento publicado dele é medido. Ninguém vê o seu nome ligado a essa declaração, e ela vale um agente por cargo.
Por que um mandato que acaba não some
Um parlamentar que deixa o cargo deixa de aparecer como quem está em exercício, mas o registro e os votos dele permanecem. O alinhamento é construído sobre histórico de votação: apagar o histórico apagaria o índice junto.
De onde vêm os dados
Bases públicas, abertas e sem autenticação — as mesmas que qualquer pessoa pode consultar.
A importação é semanal e sempre pelo mesmo caminho: as proposições e as votações nominais de cada casa, os parlamentares e os partidos. Cada tema guarda o identificador oficial, a casa de origem, a situação em que se encontra e o endereço da sua página na fonte.
As duas bases em uso hoje são a da Câmara dos Deputados e a do Senado Federal. A arquitetura foi feita para receber outras — assembleias estaduais, câmaras municipais — assim que elas publicarem dados no mesmo formato.
Comece pelo mais simples: vote.
O índice pessoal aparece já nos primeiros temas, e fica mais firme a cada voto. Ele não custa nada além do tempo de ler o que está em pauta.
O detalhamento jurídico do que é guardado e do que você pode exigir de volta está na Política de Privacidade e nos Termos de Serviço.